quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Academia de ginástica

Eu sempre fui uma pessoa ativa (e volúvel, como vcs vão perceber com esse post. rs). Já fiz incontáveis tipos de atividades desde minha adolescência, dos mais variados tipos e intensidades: natação, vôlei, handball, corrida, acrobacia aérea, danças mil (bolero, fox trot, samba, frevo, dança portuguesa, dança espanhola, forro), yoga (vinyasa, iyengar, ashtanga, hatha). No Brasil me lembro de ter feito academia por pouco tempo porque nunca gostei do clima, no máximo fazia as aulas de aeróbica (alô lambaeróbica dos anos 90). Mas quando cheguei aqui na Austrália retomei a academia e peguei amor pela musculação (vai ver que é a idade chegando, musculação acaba virando uma necessidade).

Na minha primeira incursão em academia aqui em down under fiz um post em 2013 contandomeus micos. Hoje já estou bem mais entendida do assunto, mas continuo sem ser expert porque admito que não tenho saco nenhum de seguir esses marombeiros no Instagram, ou ler sobre o assunto. Também não faço dieta, não me preocupo se vou ficar musculosa, meu objetivo é mais ficar em forma e com o corpo minimamente definido. Por sorte eu não ganho peso tão fácil (tá, tudo bem que também não como muito e nem como porcaria – tirando o chocolate, meu vício mor) e ganho músculo fácil, então qualquer exercício feito de forma consistente por 3 meses já me leva ao meu objetivo.

Depois da academia que mencionei no post de 2013, mudei pro Shire e me matriculei no Sutherland Leisure Centre, que é um clube com academia e 3 piscinas enormes. Lá era ótimo também, e com esquema parecido com a outra academia: pagava uns $80 por mês e tinha direito aos equipamentos de musculação, aulas de aeróbica e piscinas. Eu nunca conseguia chegar a tempo das aulas por conta do trabalho, mas ia sempre malhar e corria na hora do almoço no trabalho. Assim como na outra academia lá tinha uma consulta inicial com um treinador da academia que durava 1 hora e onde ele fazia toda a avaliação inicial, me mediu, fez teste de capacidade fitness na esteira, e elaborou um programa de musculação com base no que eu queria.
Uns meses depois de ter começado nessa academia engravidei do Lucas e tive que parar tudo. Durante a gravidez toda fiz yoga e foi maravilhoso! Super recomendo yoga na gravidez, comecei com umas 11 semanas e fui até a última semana de gravidez fazendo aula 1 vez por semana com uma professora sensacional que encontrei no Shire. Me relaxava, alongava, curou a crise de dor nas costas que tive no meio da gravidez, enfim, super recomendo.

Depois que o Lucas nasceu passei o primeiro ano meio por conta dele, a amamentação atrapalhava de eu sair sozinha, enfim, não fiz exercício nenhum. Logo que ele completou 1 ano voltei pra academia, mas em seguida tive a infecção renal que me fez ficar 1 semana internada no hospital seguido de mais 1 mês de antibióticos. Esses antibióticos destruíram minha imunidade, e passei os 4 meses seguintes muito mal, emendando gripes, sem forças pra malhar, irritada, vivia cansada. Fui numa naturopata que me curou, mas chegamos a conclusão que eu estava exausta demais pra fazer academia então retomei a yoga. Assim segui até ir pro Brasil em Setembro passado, e quando voltei mais uns problemas de saúde no fim do ano me mantiveram longe dos exercícios.

Com a chegada de 2017, era hora de voltar ao ritmo de exercícios! Dessa vez optei por não retomar a academia do clube e sim me matricular na Crunch, famosa rede de academias aqui em Sydney, principalmente por causa do preço e por abrir até mais tarde. A Crunch funciona assim: vc paga $8.95 por semana para ter direito aos equipamentos de musculação apenas ou $12.95 por semana pra ter direito aos aparelhos + aulas + acesso a todas as academias em Sydney. Detalhe que com esse valor de $12.95 vc ainda pode levar um amigo de graça todas as vezes que for na academia! Ah, e não tem taxa de matricula e nem contrato, vc paga mês a mês. Imbatível o preço, né? Detalhe que o meu escritório recentemente passou a reembolsar $40 de academia por mês (além dos $110 de plano de saúde que eles já reembolsavam), então no fim vou pagar apenas pouco mais de $10 por mês de academia. Não tem desculpa pra não malhar!

Claro que o fato de ser tão barata tem alguns pontos ruins, e o principal deles é que não tem a avaliação inicial que fiz nas outras academias, não te dão um programa de malhação, e nem tem instrutor pra tirar dúvida nos aparelhos. Se vc quiser esses serviços tem que contratar um personal trainer. Eu acabei contratando um apenas por 2 sessões pra ele montar um programa, e como fiz com uma amiga ele me cobrou $60 por 2 sessões. Achei bem razoável e daqui a uns meses pago mais umas sessões para fazer uma reavaliação das minhas metas.
Depois de ter o Lucas tenho um sério problema pra malhar: falta de tempo. Não consigo ir de manha pois acordo as 6am e é uma correria pra arrumar as nossas coisas e do Lucas, fazer meu green smoothie e o café do Lucas e sair de casa as 7am pra levar ele na creche. Chego no trabalho pouco antes das 9am e saio as 5:30, assim a hora do almoço e a noite é o único tempo que tenho pra malhar. Na hora do almoço eu costumo correr em Circular Quay, mas com esse verão absurdamente quente que tem feito está inviável porque o sol fica um maçarico e com o clima seco é sufocante correr. O bom é que a minha mensalidade da Crunch dá acesso a outras academias da rede, então pros dias quentes vou na academia da City malhar. Aí a noite vou na Crunch do Shire, mas só consigo ir 2x por semana porque tenho que revezar as noites com o Thiago, já que ele tem futebol nas quartas e teoricamente diz que quer nadar um outro dia (digo teoricamente porque ele é daqueles que sempre procrastinam fazer exercício, nem parece o mesmo de quando o conheci que malhava, escalava, etc). Nos dias que estou sozinha com o Lucas já pensei em ir malhar porque na academia tem uma “creche”, mas confesso que fico com dó de deixar o Lucas lá porque é só um cercadinho micro com alguns brinquedos, e é aberto então ele vai me ver circulando pela academia e chorar horrores. Não consigo deixar ele chorando então estou adiando testar essa opção. Já nos fins de semana é o único momento que temos de fazer programas em família e nós 3 saímos bastante, e o Lucas está numa fase tão gostosa que me dá dó trocar esses momentos pela academia. Ou seja, só me restam os dias que trabalho na hora do almoço e a noite. No fim são 5 idas a academia por semana, então acho que não está tão ruim.

Comecei tem 2 semanas e já sinto uma mudança incrível! Meu nível de energia aumentou, não sinto mais o cansaço eterno que me consumia, estou dormindo super bem (antes mesmo nas noites que o Lucas dormia a noite toda eu acordava várias vezes, 5:50 já tava de pé com insonia, uó) e minha tara por chocolate também diminuiu (eu estava comendo quantidades absurdas diariamente, agora já estou reduzindo pro mínimo). Ainda falta ajustar minha alimentação pois apesar de eu comer bem no café e almoço, a noite é uma desgraça por pura falta de tempo. Com a rotina de dar jantar, banho e colocar o Lucas pra dormir cedo, muitas vezes fico do almoço até 8:30 da noite sem comer. Tenho que planejar umas refeições mais saudáveis pra noite. 
Só espero que dessa vez com meu novo aliado Fitbit o retorno a academia não seja só um daqueles projetos de ano novo que não duram até março. rs

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Jamberoo Water Park

No fim de semana que passou, aproveitando a onda de calor surreal que tem feito esse ano, fomos no Jamberoo, um parque aquático aqui em Sydney. Eu sou meio ressabiada com parque aquático porque nunca curti muito. Se não me falha a memória (e ela sempre falha, impressionante!) só fui nos parques do Wet ‘n Wild até hoje – uma vez (ou duas) no Rio, uma em Cancun, e uma em Sydney. Na de Sydney eu até fiz um post bem rabugento contando da experiencia aqui.

Aliás eu reli o meu post sobre o Wet ‘n Wild e o mais engraçado foi a parte que eu ficava espantada com os trajes da galera, as mulheres com biquíni grande e blusa ou maiô, os homens todos de bermuda, as crianças cobertas com roupas inteiras e chapéu estilo Chaves. E advinha como eu, Thiago e Lucas nos vestimos agora? hahahaha Ser mãe é mesmo cuspir pra cima, como mudamos a forma de pensar e agir! Primeiro que meus biquínis micro estilo brasileiro foram aposentados há tempos, porque convenhamos que um biquíni micro não combina com os quilinhos a mais que a maternidade traz ou com o fato de eu estar sempre correndo atrás do Lucas. Fora que usar biquíni de lacinho e cortininha com criança pequena é pedir pra ficar pelada na piscina/praia, porque óbvio que em algum momento a criança vai puxar ainda que involuntariamente. Então faz tempo que eu adotei o biquíni grande na parte de baixo e um top na parte de cima quando vou na piscine, principalmente se estou sozinha com o Lucas. Recentemente ainda adotei o maiô na piscina, bem mais prático. Na praia coloco uma parte de cima menor pra não fazer uma marca bizarra, mas evito os cortininha muito pequenos ou tomara que caia (esse último por motivos óbvios). O Thiago, por sua vez, aboliu a sunga na piscina porque absolutamente nenhum homem usa sunga aqui na piscina. rs Na praia ele ainda usa, apesar de poucos homens aqui usarem. Já o Lucas, assim como a grande maioria das crianças aqui, usa sempre uma roupa de praia com fator de proteção 50 que cobre pelo menos metade dos braços e metade das pernas + um chapéu estilo Chaves que cobre orelha e pescoço. Isso porque o sol na Austrália é um maçarico por conta do buraco na camada de ozónio bem em cima do país, e a incidência de câncer de pele é uma das maiores (se não a maior) no mundo. Então todo cuidado é pouco com as crianças, tanto que nas creches tem geralmente a regra de que as crianças tem que ir de blusa cobrindo os ombros, usar protetor solar e chapéu de aba larga sempre que forem brincar na parte externa.

Enfim, voltando ao Jamberoo. Eu continuo tento um nojo mortal de piscinas, mas com o Lucas não me restou alternativa senão encará-las, principalmente porque em dias muito quentes nem pra praia dá pra ir, então só me resta levar o Lucas na piscina coberta do clube. Daí resolvi encarar um parque aquático mais uma vez, apesar do meu receio do Lucas ainda ser muito novo pra curtir. Ledo engano! Ficamos quase 8 hrs dentro do parque e o Lucas curtiu cada minuto!
 
Começando do começo: o Jamberoo fica a 20 minutos de Wollongong, ao sul de Sydney. Como eu moro no Shire, são 1hr de carro pra lá. Do centro de Sydney deve dar em torno de 1hr40min a 2hrs. Saímos de casa bem cedo pra chegar na hora que o parque abre, 10am. Curiosidade na estrada: como tem trechos de subida/descida, a velocidade máxima era 80km/h para carros e 40km/h para caminhões e ônibus. Onde que no Brasil vc vai ver caminhão andando a 40km/h em estrada??? Ah, a Austrália que não cansa de me surpreender…

 
Chegamos lá as 10:10am e já estava lotado! O estacionamento bombava e eu comecei a ficar tensa imaginando o perrengue que íamos passar. Como tínhamos comprado o ingresso pela internet (custa $65 para adulto e $55 para criança maior de 3 anos), entramos direto sem fila, apenas com uma rápida parada na entrada pros seguranças revistarem as bolsas (mal e porcamente, diga-se de passagem). Um segurança me perguntou a idade do Lucas, mas não pediu nenhum comprovante. Como ele tem 2 anos, não pagou ingresso.

Uma vez lá dentro tentamos colocar as tralhas num armário (que custam $10 pelo dia) mas os que tinham logo na entrada já estavam lotados. Acabou que nem tentamos achar outro porque estávamos com o carrinho mesmo (já que o Lucas ainda tira soneca na hora do almoço) e deixamos as tralhas no carrinho perto das piscinas que íamos.
 
Uma coisa que logo de cara me surpreendeu no parque é a quantidade de verde, com árvores, grama (e moscas) por todo lado. Muito diferente do deserto de concreto do Wet ‘n Wild. Dá pra ver pelo mapa do parque:


 
Logo na entrada fica uma praia artificial, que tem uma parte com toldo pras crianças pequenas, com escorregas pequenos e piscina rasa. O Lucas já amou de cara (a cara emburrada é porque ele não curte foto, mas amou essa piscina):



 

De lá fomos pro Banjo Billabong que tem um enorme water play, com escorregas e tal. Infelizmente a altura mínima pra essa atração é 1 metro, então o Lucas não pode entrar. Essas as fotos dessa atração:


 
Daí fomos pro Mushroom Pool, que é uma piscina só pra toddlers (crianças menores de 3 anos basicamente, mas até 5 anos podia entrar). Lá tinha um escorrega só pra crianças menores de 5 anos que adultos não podiam ir. Eu fiquei tensa do Lucas ir sozinho, mas claro que meu pequeno corajoso quis ir e foi bem tranquilo. Foto abaixo:


 
Logo ali do lado tinha outra piscina pequena pra toddlers com vários escorregas e ao lado um tronco de equilíbrio pra crianças maiores (e adultos), que óbvio que o destemido do meu filho quis ir e colocou muito adulto no chinelo andando e se equilibrando direitinho no tronco.
 

Nessa hora já era meio dia e colocamos o Lucas pra dormir e fomos comer. Tinha bastante fila pra comprar comida, mas foi razoavelmente rápido. Isso foi outra coisa que gostei do parque: apesar de lotado era bem espaçado então sempre tinha lugar pra sentar, comer, descansar. A comida foi razoável, não dá pra esperar muito de um parque assim. Eu comi um fish & chips e o Thiago um hambúrguer (o meu estava bom, o do Thiago era bem ruinzinho). Tinha ainda cachorro-quente, pipoca, sorvete, essas porcarias normais de parque. Eu levei comida tipo lanche pro Lucas (fruta, cracker), e planejava dividir meu fish & chips com ele, mas ele fez greve de fome e comeu muito pouco o dia todo, o que ocorre normalmente em dias muito quentes. Depois de meros 40min dormindo, o danadinho acordou com a corda toda e rumamos pra Billabong Beach, que é uma outra praia artificial mas essa exclusivamente pra crianças menores de 5 anos. O Lucas simplesmente se acabou por lá pelas próximas 4 horas! O único senão foi o grande escorrega que tinha lá que não me deixaram ir com ele (tinha uma regra de que adultos não podiam subir na plataforma) e o Lucas até poderia ir sozinho, se subisse autonomamente. Eu não queria deixar porque ele é muito pequeno e o negócio é imenso, mas claro que ele é louco destemido e quis ir mesmo assim. Deixei, mas no meio da escada veio um jato d’água do alto que assustou ele (ele ama piscina mas odeia água na cara, vai entender…) e fez ele dar meia volta e descer e nunca mais tentar subir aquele brinquedo. Achei perfeito! Haha Tirando esse escorrega alto tinham vários outros escorregas menores, animais gigantes esguichando água e até uma mini caverna com desenhos dentro que o Lucas absolutamente amou! Vejam as fotos:



 
Esses eram basicamente os brinquedos pra crianças, além do Rapid River que é aqueles rios de correnteza que dava pra criança ir desde que acompanhada por um adulto. Detalhe que eu fui nesse rio sozinha com o Lucas e foi um desastre total porque era fundo pra mim (tipo acima da minha cintura) e eu não conseguia nem por um decreto entrar na bóia, no meio da correnteza, carregando o Lucas no colo. Uma amiga me ajudou a entrar, o que eu só consegui com ela segurando minha bóia e eu colocando o Lucas sentado na borda, mas acho que pela minha falta de jeito ele ficou com medo e não curtiu muito. Pra terminar, achando que a saída seria mais fácil, pulei da bóia com ele no colo e afundamos os 2 no rio. Coitada da criança, tomou um caldo da mãe desnaturada. haha Pelo menos foi um caldo de leve, melhor que o Thiago que foi levar o Lucas no mesmo rio, também sozinho, e tomou um caldo homérico pra entrar na bóia, daqueles de ficar debaixo d’água sem conseguir subir (ele Thiago, não o Lucas, porque como bom pai ele conseguiu elevar o Lucas acima da água). Segundo o Thiago o caldo foi tão feio que ele achou que os salva-vidas viriam resgatá-lo. haha Daí vcs vêem de onde o Lucas tirou essa alma corajosa e destemida, de 2 pais loucos. haha
 
Pra não dizer que não aproveitamos brinquedos de adulto, decidimos nos revezar com o Lucas nessa piscina-praia e fomos em alguns outros brinquedos. Eu fui no Perfect Storm, que é um tubo imenso e fechado com água dentro, simulando um rafting radical que vc desce de bóia com até mais 3 pessoas. Foi absolutamente sensacional! Já o Thiago foi no Funnel Web, que é parecido com o que eu fui, mas menos rápido. Como estava muito cheio e as filas enormes (eu levei quase 1hr pra ir no Storm!), não conseguimos ir em outros brinquedos, apenas no The Rock que é uma pedra de 5 metros de altura que vc pula pra uma piscina. Digamos que a pedra é mais alta do que parece e depois do salto rolou um: “merdaaaaa, é muito mais alto do que pareciiaaaaaa….” e uma engolição de água básica ao cair na piscina. haha

Saímos de lá com o parque fechando, absolutamente destruídos mas valeu tanto a pena que já penso em voltar lá em breve, assim que eu recuperar minhas energias, porque a sanidade eu pareço que não tenho mesmo pra me meter nessas maratonas. haha
 
 
P.S.: Detalhe pras nossas roupitchas nas fotos. O Lucas coberto dos pés a cabeça (a bóia eu coloco quando quero um pouco de paz, porque sem ela eu não posso piscar que o danadinho se joga de cara na água. E essa boia tipo colete foi a unica boia que ele aceitou colocar, aquelas de braço ele não deixa colocar nem a força) e eu e Thiago de camisa. Essas camisas foram fundamentais porque afinal passamos 8hrs debaixo do sol maçarico australiano. Além disso repassei protetor solar fator 50 em mim e no Lucas a cada 1hora, e com isso saímos de lá ilesos sem queimaduras ou pele ardida.


 

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Reveillon 2016-2017

Eu já tinha feito 2 posts sobre reveillon, em 2012 e 2013. Apesar de em 2012 eu não ter feito uma atualização contando como foi a experiencia com o ingresso pago no Botanic Gardens, a vista foi ótima mas não perfeita. Vimos de trás do Opera House os fogos, e ainda tinha uma árvore alta atrapalhando um pouco a visão. Valeu a pena, mas não sei se eu repetiria pagar tanto por aquele local.

Ainda acho que a melhor vista é de um barco, mas além de caro eu acho que o Lucas precisa ser maior pra eu encarar o perrengue.

Em 2014 o Lucas era recém nascido, então literalmente dormimos durante a virada do ano no intervalo das mamadas. Ano passado (2015) o Lucas ainda era muito pequeno e nós estávamos na Nova Zelandia, então acabamos não fazendo nada. Esse ano eu tinha pensado em ir para Brighton Le Sands, que é uma praia relativamente perto lá de casa (uns 20 minutos de carro) e que tem fogos as 9pm para as famílias com crianças. Mas no último minuto do segundo tempo um dos sócios aqui do escritório onde eu trabalho ofereceu de virmos ver os fogos daqui do escritório. Detalhe: eu trabalho em pleno Circular Quay, bem no meio entre o Opera House e a Harbour Bridge, e como é no décimo andar e ainda tem uma grande varanda, a visão da baía e, consequentemente, dos fogos, é simplesmente perfeita.

Chamei um casal de amigos com filho da idade do Lucas para vir, e montamos uma verdadeira operação de guerra pra trazer as crianças enquanto eles estivessem dormindo já, porque eu morro de medo da varanda aqui do escritório que não é nada segura pra criança. Fora que meu escritório tem cameras monitoradas em tempo real pelo pessoal dos EUA, então tudo que eu não queria era que eles vissem o Lucas correndo por todo lado.
 
Achei o estacionamento do Domain (dentro do Botanic Gardens) que cobrava bem razoáveis $20 a hora pela noite do reveillon, fizemos a reserva e decidimos vir de carro por volta de 7:30pm para as crianças dormirem no carro. Durante o dia levei o Lucas para uma maratona de piscina + pula-pula pra ele ficar bem cansado, dei o jantar e banho em casa e partimos. Foi perfeito: as 8pm ele estava dormindo no carro. Pegamos um pouco de transito porque tinham vários bloqueios no caminho, e acabamos chegando no centro em torno de 8:40pm. Até sair do estacionamento, validar o ticket e andar até meu escritório, acabamos perdendo os fogos das 9pm (sempre tem fogos as 9pm para as crianças e depois os da meia-noite), até escutamos no caminho mas não deu pra ver. Como o Lucas estava na parte mais pesada do sono, ele sequer acordou com o barulho desses fogos.

Chegamos no escritório e fomos confraternizar com outras pessoas que vieram também, comemos nosso piquenique que trouxemos, e conversamos bastante até meia-noite. Na hora dos fogos a vista não podia ser mais perfeita, do alto e bem no meio entre o Opera House e a Harbour Bridge, como vcs podem ver nas fotos abaixo. Os fogos de Sydney sempre ocorrem acompanhado de uma trilha sonora, que esse ano incluiu músicas de Prince e David Bowie. Para mais vídeos e fotos dos fogos, é só ir nesse site aqui.

Os fogos foram bem bonitos e tal, mas eu continuo achando que nenhum espetáculo de fogos vence o de Copacabana. Soa bairrista, eu sei, mas nunca vi fogos tão bonitos e tão longos como os de Copacabana.

Na volta pra casa o Lucas acordou, quase a 1 da manha, para meu desespero. Pegamos um transito absurdo só pra sair do centro (o que era esperado) e ainda fomos deixar 2 pessoas em casa, com isso só chegamos em casa as 3 da manha, e o Lucas só foi dormir as 3:30. No fundo foi bom porque ele dormiu até mais tarde e não nos acordou as 6 da matina como sempre.

Pra quem quer passar o reveillon em Sydney e ver os fogos de perto, ou paga-se muito caro ou tem que chegar nos pontos turísticos muito cedo, tipo antes do meio-dia, e ficar sentado no mesmo lugar até a meia-noite pra guardar o lugar e poder ver os fogos. Se chegar depois de 3-4 da tarde, pode esquecer que a maioria dos pontos no centro (Circular Quay, Botanic Gardens) já está fechado o acesso pois quando os organizadores vêem que atingiu um número x de pessoas eles fecham todos os acessos. Muita gente vai pro norte de Sydney pra ver os fogos do outro lado da ponte, mas além de ficar muito cheio também, o escoamento depois dos fogos é bem pior porque as estacões de trem do norte são menores (na City pelo menos tem 6 estacões de trem razoavelmente perto pra escoar a galera). Enfim, não sei se eu sou muito preguiçosa pra muvuca, ou se com o Lucas ainda pequeno me desanimo de dormir tarde (ele dorme as 8pm e acorda as 6am, ou seja, se eu dormir depois de 11 da noite durmo pouco e mal porque ele ainda acorda durante a noite), mas o fato é que reveillon não me anima muito não. Mas pra quem se animar, recomendo se programar com antecedência, pois tudo nessa cidade é feito com muita, mas muita antecedência (tipo, daqui a uns 4 meses, pode começar a procurar e reservar para o reveillon de 2017).

Seguem as fotos da nossa noite:
 
Vista da varanda do  escritório a noite

Thiago, o fotógrafo da noite, montando seu equipamento
(ele é a metidez em pessoa com essa camera. rs)
 



quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Então é Natal


Espero que todos os leitores do blog tenham passado um ótimo Natal com suas famílias. Por aqui o Natal foi só com amigos esse ano, já que não tivemos visitas da família e nunca conseguimos viajar pro Brasil nessa época do ano por conta do preço das passagens (e do calor do Rio de Janeiro que eu não toleraria mais. rs).

 

Aqui na Austrália só é comemorado o dia 25 de Dezembro, dia do Natal, data em que as famílias se reúnem para um almoço, muitas vezes ao ar livres em parques. O feriado nacional é apenas no dia 25 e no dia 26 (Boxing Day). Como esse ano o dia 25 caiu num domingo, o feriado foi automaticamente transferido pro primeiro dia útil seguinte, ou seja, dia 27. O mesmo vai acontecer no réveillon, quando o feriado do dia 1 (domingo) será transferido para o dia 2.

Aqui as tradições do Natal são até certo ponto semelhantes ao Brasil, com árvore montada na sala, Papai Noel entregando presente pras crianças e tal. Só que aqui os presentes são entregues no dia 25 de manhã, já que não tem ceia no dia 24, e muitas família colocam no dia 24 junto com as crianças, antes delas dormirem, um prato com leite e biscoitos pro Papai Noel (Santa Claus em inglês) e um prato com cenouras pras renas. Eu e Thiago não somos religiosos e ainda não decidimos como vamos abordar o Natal com o Lucas. Quando ele crescer mais um pouco provavelmente vamos explicar sobre a base dessa celebração mundial, e o que ela significa pra nós (uma data em que reunimos a família e praticamos o desapego e a caridade, sem muito consumismo). Claro que vamos dar presente pro Lucas, mas sempre 1 só e aproveitando a data pra fazer uma limpa de desapego na casa e doar os brinquedos que ele não brinca mais. Tentei fazer esse ano um calendário do advento com a contagem regressiva do Natal e atividades diárias pro Lucas entender essa festividade, mas ele não pegou muito bem a coisa, acho que é muito novinho ainda daí vamos tentar de novo ano que vem. Além disso somos contra essa figura do Papai Noel, essa coisa de ameaçar criança de que tem que ser “boazinha” (pra começar que eu nem gosto desse termo “criança boazinha”) pra ganhar presente, enfim, vamos explicar a ele de onde surgiu o simbolismo do Papai Noel mas sem essa ligação de ganhar presente atrelado a bom comportamento porque não é o que praticamos em casa de uma forma geral (não aplicamos castigos, muito menos palmada, e acreditamos que educar é formar o caráter da criança através do entendimento do porquê uma atitude é errada – machuca outros ou a si próprio –, da prática da empatia e da construção do livre arbítrio desde bebe). Mas esse ano o Lucas ainda é pequeno demais pra esse tipo de conversa, então apenas reforçamos a data como um dia de reunir a família e amigos.

 

Como os brasileiros comemoram a véspera de Natal também, esse ano fomos convidados para uma festa com outros casais brasileiros no dia 24, que foi ótima. Muitas famílias juntas, muitas crianças, o Lucas se acabou de brincar. No dia 25 quando ele acordou demos o presente dele (uma cozinha da Ikea que ele amou – essa aqui) e fomos na casa de outro casal de amigos que tem um filho da idade do Lucas para um churrasco de Natal, com direito as crianças se esbaldando num banho de piscina no quintal.

 

É aquela coisa, quando não se tem família perto, os amigos se tornam nossa família, laços se estreitam mais rapidamente e é ótimo ver o Lucas crescendo com tantas crianças da idade dele, crianças que ele já reconhece como amigos, chama pelo nome, brinca junto. Temos feito com alguns casais de amigos “share care”, onde um casal cuida das 2 crianças por umas 4-5hrs enquanto o outro casal pode aproveitar pra fazer um passeio a dois. Nós ficamos com o filho de uns amigos semana retrasada, e ontem foi a vez deles ficarem com o Lucas, tendo eu e Thiago aproveitado pra ir no cinema, coisa que raramente fazemos por não ter família por perto pra ficar com o Lucas.

 

Essa semana está sendo de recesso pra quase todo mundo, pois tradicionalmente no período entre Natal e Ano Novo a maioria das empresas fecham e os funcionários tiram férias forçadas. É ótimo pois é uma época do ano que todas as famílias estão reunidas com as crianças, seja fazendo passeios ou viajando. Esse ano não viajamos, então estamos aproveitando pra ir com o Lucas pra muito parquinho, praia e piscina já que tem feito um calor atípico esse verão, com semanas seguidas de temperaturas entre 20-35 graus (o que é muito quente pros padrões de Sydney).

 

Meu escritório é um caso atípico e não fecha nesse período do ano, então hoje estou trabalhando enquanto o Thiago fica com o Lucas (as creches em sua maioria fecham também nessa semana entre Natal e Ano Novo). Mas hoje é o último dia de trabalho do ano e só retorno semana que vem (e espero que com posts mais frequentes para 2017). Então desejo a todos um Ano Novo repleto de realizações, com muito amor e paz (coisa que esse mundo está precisando urgentemente). :)

sábado, 24 de dezembro de 2016

Como é o dia-a-dia de trabalho como legal secretary/paralegal

Eu já fiz vários posts sobre minha carreira aqui, como foi difícil arrumar emprego na minha área, sobre como validar o diploma em direito, etc. Mas vira e mexe me perguntam como é de forma prática o trabalho de legal secretary/paralegal por isso resolvi escrever esse post.

Primeiro quero deixar claro que minha descrição é absolutamente pessoal, baseada na minha experiencia em apenas um escritório de advocacia, que é onde eu trabalho desde sempre aqui em Sydney. Meu escritório também é um pouco distinto porque não pratica direito australiano, apenas direito americano e tem como foco unicamente o mercado de capitais. Além disso meu escritório é pequeno, tem apenas 15 pessoas no total, então as funções não são muito especializadas. Com isso possivelmente as funções de um legal secretary/paralegal podem ser distintas em outros escritórios.

Eu fiquei 2 anos como legal secretary, entrei de licença maternidade e voltei há 1 ano e meio como paralegal.

Como legal secretary, minhas funções eram basicamente:

- lançar no sistema interno as horas de trabalho dos advogados (billable hours), ou seja, quantas horas o advogado demorou na atividade x no dia y para cada cliente/projeto que trabalhou. No fim do mês essas horas e a descrição correspondente são contabilizadas e o cliente recebe a fatura do escritório. Quem trabalha com direito consultivo no Brasil deve ter sistema parecido, no contencioso é que normalmente a cobrança é fixa por número de processo e não por horas trabalhadas;

- salvar docs que os advogados mandavam no sistema interno, imprimir/encadernar/tirar cópia/escanear docs, fazer edições nos docs (ou seja, adicionar comentários dos advogados, comparar docs, etc);

- fazer relatórios de horas trabalhadas num projeto, pra que os advogados fizessem uma checagem periódica do quanto estavam cobrando do cliente;

- atualizar os livros de jurisprudência/legislação com novos updates que a biblioteca da empresa em Hong Kong manda periodicamente;

- marcar voos/hotel para viagens de negócios dos advogados;

- preparar e enviar correspondência externa;

- preparar carta de auditoria;

- organizar a festa de fim de ano da empresa e demais comemorações internas;

- preparar cds de fechamento de um projeto, compilando documentos e material envolvido.

E outras mais que não me vêem a cabeça agora. Além disso, como o escritório é pequeno, sempre que ficávamos sem recepcionista eu tinha que cobrir também as funções da recepção (atender telefone, manter a comida limpa, cuidar do estoque de produtos e fazer pedido de novos produtos, etc) ou quando a office manager estava de férias eu cobria algumas das funções dela.

Cumulado a isso tudo, como os advogados sabiam da minha formação em direito, acabavam me dando também trabalhos mais jurídicos, por isso que quando eu voltei de licença maternidade troquei de cargo e voltei como paralegal. Como paralegal minha hora passou a ser billable (cobrada do cliente) e minhas funções se consolidaram como sendo primordialmente mais jurídicas como:

- fazer busca de precedentes para projetos;

- criar docs iniciais para os projetos, fazendo uma análise da empresa e do tipo de projeto envolvido;

- analisar balanços financeiros das empresas, assim como demais documentos para investidores e com base neles atualizar documentos do projeto;

- atualizar a planilha de taxa de cambio e as diversas fórmulas que criamos como média/mínima/máxima do período fiscal, etc;

- cuidar da database de marketing interna da empresa, e das diversas planilhas internas de projetos que temos;

- criar e atualizar pastas internas de casos precedentes;

- auxiliar os advogados de uma forma geral nos projetos.

Além disso ainda cumulo funções de legal secretary quando estamos sem uma, ou se o volume de trabalho está pesado.

O volume de trabalho varia muito durante o ano no escritório onde trabalho, seguindo mesmo o mercado financeiro, mas de um modo geral apenas os advogados são demandados a trabalhar por longas horas. Eu até já fiz bastante hora extra, já trabalhei 12hrs ou mais seguidas, mas pra mim é sempre opcional: se o volume de trabalho está pesado as vezes me pedem e se eu posso eu fico até mais tarde. Mas se eu não posso porque tenho que pegar o Lucas na creche, ou se ele está doente, é absolutamente ok dizer que eu não posso e sair as 5:30 da tarde no meu horário normal. Não é assim na maioria dos escritórios, acredito eu, principalmente para paralegals que muitas vezes trabalham longas horas tanto quanto os advogados. Isso é um pouco o que pesa na minha decisão de não validar meu diploma aqui. Porque uma vez advogada aqui eu não conseguiria ter a flexibilidade que tenho de trabalhar de 8:30-5 e apenas 3 vezes por semana. Por outro lado eu fico meio engessada no meu cargo e no escritório em que trabalho no sentido de não conseguir pegar novos desafios. Mas tudo na vida é uma questão de escolhas, né? Atualmente eu estou em paz com as minhas, quem sabe daqui a 5-10 anos eu não pense diferente e escolha outro caminho. :)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Escolas em Sydney


Eu já falei aqui no blog sobre como funcionam as creches, e se nunca falei sobre escolas é porque o Lucas está longe de ir pra uma e eu ainda não comecei a pesquisar sobre o assunto.


Mas como a Jaqueline me pediu pra falar sobre escolas, e com o que já ouvi falar de amigas, vou tentar escrever algumas linhas gerais sobre o assunto.

A educação na Austrália é pública como regra, mas existem escolas particulares. Dentre as particulares elas podem ser mais construtivistas (como as que seguem a metodologia Montessori ou Waldorf), ter uma base religiosa (católicas ou protestantes), podem ser separadas por género (só de meninos ou só de meninas ou mistas), etc.




(OBS: A educação só é pública para residentes e cidadãos. Qualquer outro tipo de visto não tem direito as escolas do governo gratuitamente, tendo que pagar uma taxa que gira em torno de AUD$5.000 – mais informações aqui: http://www.detinternational.nsw.edu.au/media-assets/trp/fees.pdf.)

Toda criança tem que estar matriculada numa escola quando completar 6 anos de idade. A idade mínima para ingressar na escola é 5 anos, mas crianças que façam aniversário até 31 de Julho podem começar na escola com 4 anos de meio (isso em NSW - em outros estados a data de corte é diferente). O primeiro ano escolar é chamado de Kindergarten (ou Kindy) e no site do governo de NSW tem bastante informação sobre o ingresso na escola. O kindy seria como a alfabetização no Brasil, seguido pelo Year 1 ao Year 6 (ensino primário) e Year 7 ao Year 12 (ensino secundário ou high school). 

Antes do kindy, crianças de 3 anos e meio ou 4 anos podem frequentar uma creche (daycare, sendo que todas tem uma preparação especial para a “big school” quando chega na turma de 3-5 anos) ou pre-school que são pré-escolas geridas pelo governo. A diferença é que a pré-school é bem mais barata que um daycare (porém do valor pago não incide o rebate de childcare que o Centrelink paga para residentes e cidadãos), e o horário é reduzido seguindo o horário escolar (9am a 3pm).

Falando em horário escolar, uma dúvida que me surgiu logo no início foi: se a escola funciona de 9am a 3pm e tem 2 semanas de férias a cada 2 meses, como fazem os pais que trabalham integral de 8-5? A resposta é: ou se contrata uma babá para o restante do dia, ou se matricula a criança num before/after care (chamado de Out of School Hours – OOSH) e vacation care, que cobrem o restante das horas a um custo em torno de $15-$18 por dia (maiores detalhes aqui).

As escolas públicas todas tem “catchment area”, ou seja, só aceitam alunos que morem num certo raio de distancia da escola. Então é muito comum as famílias escolherem onde vão morar baseado na escola daquele bairro ser boa ou ruim. Vc até pode aplicar pra uma escola pública de bairro diferente ao seu, mas entra numa lista de espera e só vai ser chamado se naquele ano letivo não tiver aluno suficiente do bairro para suprir as vagas. As escolas privadas não tem isso, mas ainda assim as pessoas costumam buscar escolas em subúrbios próximos de onde moram, primeiro pra que a criança não perca muito tempo em deslocamento todo dia, segundo para que os amiguinhos que fizer morem perto para se encontrarem nos fins de semana e férias.

O governo tem um site com o ranking de escolas por estado (públicas e privadas) baseado no desempenho escolar dos alunos. Para escolas privadas, tem um site muito bom com um guia de escolas e infos aqui.

A Jaqueline perguntou sobre escolas mais construtivistas. O que eu ouvi dizer é que a maioria das escolas públicas na Austrália são mais construtivistas e menos conteudistas de um modo geral, focando mais no desenvolvimento individual de cada aluno. Mas como eu disse não conheço detalhadamente esse assunto nem o currículo escolar, então não formulei uma opinião sobre isso.

Existem algumas escolas privadas que seguem métodos notoriamente construtivistas como Steiner (como a Glenaeon School) ou Montessori (no site Montessori Australia tem uma lista das escolas verdadeiramente Montessori. Fiz essa ressalva pois existe um daycare muito famoso aqui em Sydney, o Montessori Academy, que apesar de se intitular Montessori não segue efetivamente o método. Veja bem, não estou criticando o daycare, inclusive é esse daycare que o Lucas frequenta e eu adoro, mas pra quem conhece e já estudou o método como eu sabe que eles não são 100% Montessori – eles tem muito material Montessori, tem algumas educadoras qualificadas no método, mas não todas, e o dia a dia do daycare não é 100% Montessori apesar de incorporar algumas coisas do método). Há ainda outras escolas progressistas como a Kinma School mas eu nem tenho como listar todas porque como disse não conheço mais profundamente sobre isso. Eu gostaria muito que o Lucas estudasse numa escola progressista, mas não sei se financeiramente falando isso seria viável, primeiro pelo custo da escola em si e segundo porque a maioria dessas escolas ficam no norte de Sydney que são bairros por si só mais caros pra se morar. Meu sonho era que o Lucas fosse pra uma escola Montessori, mas já descartei pelo alto custo envolvido.

Eu ainda fico meio perdida no assunto escola, vejo amigas australianas falando com propriedade sobre as escolas boas e ruins e eu fico perdida porque não cresci aqui, não frequentei as escolas aqui. E é muito difícil filtrar opiniões sobre escolas porque depende muito do perfil da família, do que os pais querem pro filho. Enquanto algumas famílias fazem questão de ensino religioso, eu e Thiago achamos que religião e escola não podem se misturar. Enquanto pra algumas pessoas o principal é o conteúdo, é que a criança aprenda a ler e escrever o quanto antes, tire nota alta nas provas, etc, pra mim e Thiago o mais importante é o desenvolvimento de outras habilidades como o raciocínio crítico, a inteligência emocional, a criatividade, etc. Então o perfil da família vai influenciar diretamente na escolha da escola e consequentemente na opinião (que sempre é subjetiva) de se uma escola é boa ou ruim.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

É possível trazer remédios para a Austrália? Como fazer?

Essa é outra pergunta que eu recebo de vez em quando, e também é uma dúvida que sempre surge nos grupos de brasileiros no Facebook.

De acordo com o site da imigraçãoaustraliana, os medicamentos podem ser agrupados em 2 grupos:
 
- os que exigem uma licença para serem trazidos (não confundir licença com receita, a licença é uma autorização especial do governo australiano para entrada de certas substancias);

- os que não exigem licença.

“You do not need a permit to bring in most prescription medicines even if they contain a controlled substance, so long as:
  • you are arriving in Australia as a passenger on board a ship or aircraft
  • the medicine is carried in your accompanied baggage
  • you carry a letter or copy of your prescription (written in English) from your Doctor to certify that the medicine has been prescribed to you to treat a medical condition
  • the quantity of the medicine does not exceed three months' supply.
You should leave your medicine in its original packaging.
I.                   Examples
Prescription medicine
II.                Exceptions
Some medicines always require a permit. This includes steroids, products containing DHEA, yohimbine, thalidomide, fenticlor and triparanol. Import permits for these medicines are issued by the Therapeutic Goods Administration.
If you run out of medication, you will need to either see a Doctor in Australia to have the medicine prescribed and supplied in Australia (if it is available in Australia) or you will need to check whether you need to apply for a permit from Therapeutic Goods Administration before you arrange have medicine sent to you.”

No site do governo australiano tem também um vídeo bem explicadinho sobre como trazer medicamentos que diz basicamente que:
 
- medicamentos para colesterol alto, pressão alta, glicose alta e ácido gástrico são permitidos;

- pílula anticoncepcional é permitida;

- antibiótico é permitido;

- medicamentos para medir glicose são permitidos;

- medicamentos para ajudar a dormir (sedativos) são permitidos.

Todos os medicamentos listados acima devem ser para uso pessoal (ou de alguém sob seus cuidados), não podem ser doados ou vendidos para ninguém aqui na Austrália, devem estar na embalagem original (se possível), devem ser em quantidade suficiente para no máximo 3 meses e devem estar acompanhados de receita médica em inglês. Depois desses 3 meses vc deve obrigatoriamente procurar um GP aqui na Austrália para obter receita para mais medicamento, sendo que trazer a receita do Brasil em inglês já é meio caminho andado pra só ter que pedir ao GP aqui para te receitar o medicamento equivalente.

Segundo o site da imigração, só há necessidade de declarar medicamentos se esses forem capazes de causar abuso como esteróides, analgésicos opiáceos, cannabis ou substancias a base de narcóticos. No caso de remédios normais para enjoo, anti-alérgicos, tylenol, luftal, etc, não há necessidade de declarar.

Um parêntesis muito grande tem que ser feito com relação a dipirona. Essa medicamento, apesar de amplamente comercializado e utilizado no Brasil para tratar dores em geral, foi banido de diversos países do mundo por conta de seus efeitos colaterais potencialmente graves, incluindo a Austrália. Tanto que a dipirona se encontra na lista de substanciasproibidas e sujeita a uma licença especial do TGA (órgão australiano) para sertrazida para a Austrália. Então, nada de trazer dipirona/novalgina e afins!  Ah, e me parece que o dorflex também tem dipirona na composição então também não seria permitido. Outros analgésicos como tylenol (vendido aqui como panadol), ibuprufeno (conhecido aqui como nurofen e outros nomes como advil), aspirina (aqui aspirin) são liberados.

Eu sei que essa questão de medicamentos é base pra muita discussão porque muita gente diz que só dipirona cura sua dor de cabeça, só dorflex funciona pra dor x ou y, mas gente, vamos nos conscientizar que se vc está se mudando para um outro país vc terá que se adaptar as regras locais, a comida local e aos remédios locais. É só uma questão de adaptação, de achar um médico da sua confiança aqui e adaptar sua medicação para o que é comercializado aqui. Eu sei que pra quem tá chegando isso parece um bicho de 7 cabeças, mas se vc vier com a mente aberta e disposto a abraçar uma nova cultura, vc não vai ter problema em se adaptar. O que não vale a pena é correr o risco de ser pego e deportado, ou pagar uma multa, porque tentou trazer medicamento ou item de entrada restrita na Austrália. Para uma listagem mais geral de substancias restritas, vide esse site e esse também.

Eu não achei informações específicas sobre homeopatia, o que o site da imigração diz é que tem que se ter cuidado com medicamentos de manipulação porque sua composição pode incluir alguma substancia controlada então tem que conversar com o médico no Brasil para ver se algumas das substancias presentes no medicamento são de entrada restrita na Austrália conforme a lista que consta do link do parágrafo anterior.

Na dúvida, consulte a imigração australiana antes de vir.

Ah, e antes de terminar esse post deixa eu contar uma história engraçada que aconteceu comigo quando cheguei aqui pela primeira vez. Eu trouxe alguns remédios com receita, como pílula, antibiótico, omeprazol, etc. Fiz uma carta em inglês com o nome do remédio, a dosagem e a finalidade e pedi pro meu médico assinar ainda no Brasil. Cheguei aqui com tudo bonitinho mas quando fui preencher o papel da imigração tem a seguinte pergunta:


Como a pergunta não especifica que tipo de “medicine”, e eu não sabia dessas questões que contei aqui no post, fui lá e marquei “YES”. Daí me mandaram pra uma fila especial com os funcionários vestidos com uma roupitcha especial como essa:

 
Imaginem meu desespero! Me senti a própria traficante de drogas (como se traficantes declarassem que estão trazendo drogas…). Quando chegou minha vez o carinha me abordou pra saber 1) se eu estava sozinha; 2) que substancia estava trazendo. Quando eu falei que era remédio de uso normal (já me justificando que tinha receita em inglês e tudo certinho) só faltou o cara rir da minha cara e me mandou passar direto pra saída. haha  Por isso não sigam o meu exemplo: a não ser que vc esteja trazendo alguma substancia proibida, a resposta pra essa pergunta do formulário será sempre “NO”. ;) 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Vacinas – calendário de vacinação infantil na Austrália

Vira e mexe me perguntam sobre como é a vacinação aqui na Austrália, principalmente quem está vindo com crianças.  Quem mora aqui também sempre tem dúvida sobre se precisa vacinar os filhos quando vai visitar a família no Brasil ou não, daí resolvi fazer esse post com as informações que obtive desde que o Lucas nasceu.

Primeiro para quem está vindo morar na Austrália com o(s) filho(s): vc tem que trazer a carteira de vacinação do seu filho e obter a equivalência aqui. Eu aconselho trazer a carteira traduzida, ou traduzir aqui, e levar a um consultório do GP (general practitioner) para que ele possa lançar os dados no sistema nacional de imunização. Toda criança aqui quando nasce recebe um Blue Book (íntegra aqui), que é um livro azul com todas as informações gerais da criança e as datas dos check ups obrigatórios onde será medido crescimento e avaliado o desenvolvimento geral da criança. Aqui na Austrália esses check ups são menos frequentes que no Brasil no primeiro ano da criança, ocorrem apenas nas seguintes idades:

- newborn (recém nascido)

- 1 a 4 semanas de vida

- 6 a 8 semanas de vida

- 6-8 meses de vida

- 1 ano

- 1 ano e meio

- 2 anos

- 3 anos

- 4 anos

Claro que vc não está impedido de levar seu filho no GP ou nos Health Centre (com enfermeiras) entre essas datas, muito pelo contrário, se vc tem qualquer dúvida ou preocupação com relação ao crescimento da criança, não só pode como deve levar com mais frequência. O Lucas, por exemplo, entre os 6 meses e 1 ano teve consultas mais frequentes não só no Health Centre com as enfermeiras como o GP também o encaminhou pra um pediatra porque tinha preocupação com o crescimento dele. Depois de alguns meses de acompanhamento foi constatado que o crescimento dele era normal, só mais lento (baixinho como os pais esse meu filho. rs) e recebemos alta do pediatra continuando apenas no GP.

A maioria desses check-ups inclui também a vacinação, que, pelo menos em Sydney, é feita pelo GP. Lembrando que a vacinação infantil é obrigatória na Austrália e esse ano o governo instituiu uma nova lei que determina que as crianças que não forem imunizadas não terão direito a diversos benefícios sociais, incluindo o auxílio creche. Além disso a maioria das creches e escolas pede o “immunization record” da criança para que seja feita a matrícula. Há alguns meses eu recebi uma carta do governo dizendo que meu benefício ia ser cortado porque a vacinação do Lucas de 18 meses estava atrasada – não estava, foi um erro do GP que não deu um reforço da vacina de coqueluche que tinha sido recentemente incluído no calendário de vacinação – mas isso mostra como o governo confere mesmo e marca em cima dessa questão porque nos últimos anos tem virado moda a campanha anti-vacinação nos países desenvolvidos, uma ignorância sem tamanho que está fazendo ressurgir doenças já erradicadas como a pólio e colocando em risco a saúde de todas as crianças.

Via de regra a tabela de vacinação no Brasil é mais abrangente que a da Austrália, porque muitas doenças que ainda são endémicas no Brasil já foram erradicadas na Austrália. Então se a criança está com a vacinação em dia no Brasil, muito provavelmente vai estar na Austrália também, é só uma questão de chegar aqui e levar a carteira de vacinação ao GP para ele lançar no sistema da criança (existe um “immunization record” com as informações de cada criança, que os pais podem consultar online pelo app do Medicare e imprimir o comprovante caso precisem apresentar na creche/escola).

O governo australiano tem um site bem completo sobre vacinação, com várias infos interessantes. Fiz um comparativo da tabela do Brasil e da Austrália pra facilitar.
 
 
 

Como vcs podem ver, as diferenças basicamente são:

- BCG não está no calendário de vacinação da Austrália porque a tuberculose não é endémica aqui;

- a vacina contra meningite C só entra no calendário da Austrália aos 12 meses de idade, enquanto que no Brasil começa aos 3 meses;

- a 3ª dose da vacina pneumococcal é dada na Austrália aos 6 meses de idade, enquanto no Brasil é dada com 12 meses;

- o reforço da penta (difteria, tétano, coqueluche) é dado com 15 meses no Brasil e com 18 meses de idade na Austrália;

- na Austrália não tem o reforço da vacina de pólio aos 18 meses, só aos 4 anos de idade;

- a vacina de HPV na Austrália só é dada na adolescência, não aos 15 meses de idade como no Brasil.

Todas as vacinas que estão no calendário oficial de vacinação na Austrália são dadas gratuitamente no sistema público pelos GPs e o valor integral é custeado pelo Medicare. Não sei ao certo se apenas residentes e cidadãos tem direito a essas vacinas de forma gratuita, ou se qualquer visto também dá direito – melhor checar com o GP.

Lembrando também que para entrar na Austrália é solicitado para todas as pessoas provenientes do Brasil o comprovante de vacinação contra febre amarela. Esse assunto já gerou muita discussão nos grupos de brasileiros, mas as infos oficiais e atuais são:

- a vacina contra febre amarela é requerida na imigração mas não é obrigatória (“People who are one year of age or older will be asked to provide an international vaccination certificate if, within six days before arriving in Australia, they have stayed overnight or longer in a yellow fever risk country. People unable to provide a certificate will still be able to enter Australia.”). Claro que se vc tem um visto temporário, ou mesmo na primeira entrada com o visto de residente, não vale a pena correr o risco de vir sem a vacina porque existe uma lei internacional de que qualquer país pode negar a entrada de qualquer pessoa, mesmo que tenha um visto válido, por qualquer motivo. Eu nunca ouvi dizer de alguém que teve a entrada negada na Austrália porque não apresentou o comprovante de vacinação contra febre amarela, mas sei lá, eu não arriscaria. Já se vc já é residente ou cidadão aqui, pode tranquilamente não apresentar – na nossa viagem pro Brasil esse ano eu optei por não dar a vacina no Lucas porque ele ainda é pequeno e estava tomando muita vacina na véspera da viagem, além da febre amarela não ser endémica no Rio de Janeiro onde ficaríamos. No retorno a Austrália, me pediram o comprovante dele, eu disse que não tinha dado a vacina, na imigração não falaram nada e só na alfandega um cara veio encrencar e chamou a supervisora, mas essa na mesma hora disse que a vacina não era obrigatória e ficava a cargo dos pais dar ou não pra criança, e nos liberou sem maiores problemas.

 
- antigamente se dizia que a vacina tinha validade de 10 anos e depois disso tinha que tomar reforço. Agora a OMS já decidiu que uma única dose é suficiente pra toda a vida:

 
- qualquer criança maior de 9 meses de idade pode tomar a vacina:

 
No Brasil vc tem que buscar o posto de saúde da sua cidade que aplique a vacina de febre amarela e de um cartão internacional de vacinação (em português e inglês) da Anvisa atestando a vacinação, que deve ser feita até 10 dias antes da viagem.

 
Para quem vacinou os filhos aqui na Austrália e quer ir ao Brasil, as principais vacinas que a criança não recebeu aqui pelo calendário oficial e no Brasil são obrigatórias são:

- meningite B

- febre amarela

- BCG

Como eu disse acima, as vacinas do calendário oficial são gratuitas e aplicadas por qualquer GP. As vacinas que não estão no calendário oficial também estão disponíveis, mas vc tem que pagar por elas e muitas vezes buscar um local específico que tenha o estoque. Ultimamente tem ocorrido uma busca grande pela vacina contra meningite B, e poucos lugares estão com estoque. Outro exemplo é que no último inverno eu e Thiago optamos por tomar a vacina da gripe, pagamos $20 para tomar no GP, mas não conseguimos dar pro Lucas porque o laboratório não estava enviando vacina da gripe pra crianças.

Nesse caso como fazer? Primeiro vc tem que avaliar seu caso concreto e conversar com seu médico daqui sobre a necessidade de dar essas vacinas. Vou contar o MEU caso, lembrando que sou absolutamente pró vacina.

Quando fomos no Brasil com o Lucas pela primeira vez, conversei com o pediatra dele sobre dar ou não a BCG (na época ele ainda era muito novo pra vacina de febre amarela). Liguei também pro departamento de pulmão do hospital da minha região, que é quem aplica a BCG aqui, e perguntei sobre a necessidade de dar a vacina pro Lucas. O que me disseram foi que, ainda que a tuberculose seja endémica no Brasil, o risco de contágio ocorre quando se passa mais de 3 meses no país, ou com contato direto com o doente. Como nós só vamos ao Brasil no máximo 1x ao ano e por no máximo 1 mês, não havia necessidade de dar a vacina pro Lucas, até porque a eficácia dessa vacina é de apenas 60% e como ela está no calendário oficial do Brasil, a imunização da maioria das crianças protege as não imunizadas.

Já a vacina de febre amarela eu ainda não me convenci da necessidade de dar pro Lucas, mas na dúvida vou acabar dando por precaução antes da nossa próxima ida ao Brasil. Quanto a de meningite, está uma luta aqui pra achar, mas pretendo dar assim que eu conseguir.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Minha experiencia como garçonete e babá (parte II)

Continuando o post anterior, vou falar sobre os trabalhos de garçonete e babá, que foi o que eu efetivamente fiz.

4) Waiter: dependendo do local de trabalho precisa do RSA, que é a licença necessária para se trabalhar em local que sirva bebida alcoólica. Assim como o White Card essa licença se tira fácil com um curso de 1 dia (mas pode ser online) pago (em torno de $100). Normalmente exige um nível mínimo de inglês porque vc vai lidar com o público e o salário varia muito desde locais que exploram e pagam $17 até $30 por hora em restaurantes mais finos. Na grande maioria das vezes exige experiencia, mas todo mundo dá uma mentida nesse quesito pra conseguir o primeiro emprego. Só detalhe que a maioria dos restaurantes exige que o garçom carregue 3 ou mais pratos de uma vez, o que não é tão fácil como parece.
Tem outros empregos na área de hospitality como: 1) kitchen hand (ajudante de cozinha) que costuma exigir pouco inglês mas paga pouco também; 2) glasser (quem trabalha em bar apenas lavando e secando copo de vidro – super interessante! #sóquenão); 3) atendente de bar (que normalmente trabalha a noite/madrugada; 4) runner (a pessoa que só entrega comida na mesa, ou seja, pega o prato pronto na cozinha e leva pra mesa, mas não interage com o cliente como o garçom, por isso costuma exigir menos inglês mas paga pouco também; 5) barista (quem faz café), este que paga bem mas requer muita, mas muita habilidade porque a questão não é só saber fazer café, mas fazer com uma rapidez imensa pra atender a demanda de uma cafeteria na hora do rush. Eu aprendi a fazer café num restaurante que trabalhei, e fazia modestamente bem, mas nunca ia conseguir fazer rápido o suficiente pra trabalhar como barista exclusivamente. Só fazia no restaurante porque era um ou outro café servido ao fim da refeição.

Minha experiencia foi assim: mandei trocentos currículos pra café/restaurante e não conseguia nada, até porque eu não tinha experiencia e nem sabia carregar 3 pratos. Daí um amigo brasileiro que trabalhava num café/restaurante me indicou pra dona (essa é a melhor forma de conseguir esses empregos aliás). Comecei com alguns poucos shifts (turnos) de trabalho e aos poucos fui pegando experiencia e pegando mais horas. O café funcionava de 7 da manha as 3 da tarde, e como servia bebida alcóolica no almoço eu tive que tirar o RSA. Como o café ficava a uns 20 minutos andando da estacão de trem mais próxima, eu madrugava pra chegar lá cedo. Mas o local era ótimo, despojado, o pessoal uma simpatia (tinham até 2 brasileiros trabalhando lá de garçom) e pagava bem, especialmente pra mim que não tinha experiencia. As gorjetas eram poucas (australiano não costuma deixar gorjeta boa, isso quando deixa, a não ser que seja em restaurante mais fino) mas eles faziam festas privadas (function) também a noite e eu muitas vezes fui escalada, até porque meu visto não tinha limitação de horas pra trabalhar, então eu conseguia tirar um bom dinheiro na semana. Eu adorava trabalhar lá, bater papo com os clientes, tinha uma vista incrível pra baía, mas eu trabalhava muito! Cheguei a pegar shift em que comecei as 7 da manha, parei as 4 da tarde e voltei as 6 pra function onde fiquei até 1 da manha trabalhando, em pé e carregando bandeja pesada, sendo que no dia seguinte pegava as 7 da manha de novo. Foi punk! Fora que nessa área de hospitality é regra trabalhar sábado, domingo e feriado. Esse café fechava no inverno, então quando fecharam eu fui procurar outro emprego e, como já tinha experiencia, arrumei logo num restaurante fino de frutos do mar, num outro bairro mas também de frente pra baía. Esse pagava ainda melhor e mesmo com as horas limitadas (eles só abriam de 12-15hrs pro almoço e de 18-21hrs pro jantar) eu conseguia tirar um bom dinheiro porque nos sábados e domingos recebia um ótimo adicional (feriado a hora era paga em dobro! Tinha briga pra ver quem ia trabalhar em feriado. rs) e as gorjetas eram ótimas! Cheguei a tirar $100 de gorjeta numa única noite! Eles ainda me davam comida depois do turno de trabalho (o café também dava, mas era sanduíche e tal, enquanto nesse restaurante era comida fina. Haha Muitas vezes cheguei em casa tão exausta que não tinha vontade nem de comer, e a comida ficava pro Thiago, que amava claro.) e deram a roupa pra trabalhar lá (basicamente uma camisa preta com o logo do restaurante e avental). Eu adorava trabalhar lá também, e poder conversar com os clientes melhorou muito o meu inglês. Só que quando o Thiago começou a trabalhar, o fato de eu trabalhar a noite e mais todo sábado, domingo e feriado começou a pesar porque passei a não conseguir mais encontrar com o Thiago em casa. Isso somado com o início do inverno (que eu sempre fico depressiva aqui, como já contei no blog várias vezes. rs) e a situação começou a ficar insustentável. Daí pedi as contas lá e me matriculei no TAFE, onde fiz o curso de legal services por 5 meses e logo em seguida arrumei um emprego no escritório de advocacia que estou hoje.
Nesse meio-tempo que trabalhei nos restaurantes, fazia também alguns bicos com empresas de function, que nada mais são do que empresas contratadas para servir comida/bebida em grandes eventos como shows, jogos de futebol/rugbi, etc. Tem várias desse tipo em Sydney, basta fazer uma rápida busca na internet. No meu caso a que eu me cadastrei foi a National Workforce. Funcionava assim: eu fiz o cadastro lá, fui numa entrevista (ridiculamente simples, não me pediram nem experiencia na área) e entrei no banco de dados dele. Quando tinha um evento que eles precisavam de gente, eles mandavam um SMS avisando e os primeiros que ligassem iam preenchendo as vagas. Como eram normalmente mega eventos, abriam muitas vezes dezenas de vagas pra um determinado evento. Eu se não me engano peguei 2: um show de rugbi e um festival de música eletronica. Em ambos os trabalhos foram simples e o pagamento por horas trabalhadas. Só consegui pegar esses 2 porque nessa época cheguei a cumular 4 empregos! (o do café, o do restaurante mais fino, o de babá e os bicos que fazia a distancia pro meu antigo escritório no Brasil).

5) Babysitter/nanny: teoricamente se costuma exigir um certificado de primeiros socorros (first aid) e o working with children check, além de experiencia, mas na prática, se rolar indicação de outras mães, é fácil conseguir sem esses documentos. Normalmente paga entre $20 e $30 a hora e pode ser um trabalho casual (quando os pais vão sair a noite ou no fim de semana) ou fixo (quando os pais trabalham e preferem deixar a criança com uma babá ao invés de na creche). Existe também as au pair, que moram de graça na casa da família em troca de cuidar das crianças da casa recebendo uma ajuda de custo em torno de $200-$250 por semana. Apesar de existirem au pair brasileiras, não é muito comum porque é difícil conciliar a função com as aulas da escola e cuja presença é necessária para viabilizar o visto de estudante. Normalmente é mais comum que as meninas que trabalham de au pair sejam de países que possuem o working holiday visa.
Eu não tinha muito tempo livre pra me focar em trabalho de babá, e nem experiencia ou as licenças necessárias, então nunca foi minha meta esse tipo de trabalho. Mas daí o gerente do café que eu trabalhava veio me oferecer pra cobrir a esposa dele como babá na casa da família que ela trabalhava enquanto ela estivesse de férias. Topei e foi maravilhoso! Na verdade eu não era bem babá e sim “mothers helper”, ou seja, ficava lá junto com a mãe das crianças só para auxiliá-la na rotina da tarde/noite (já que o pai só chegava depois que as crianças já estavam dormindo). Então eu começava as 5pm, ficava brincando com as crianças enquanto a mãe preparava o jantar ou fazia coisas dela na casa, depois ajudava a dar o jantar pras crianças, ajudava no banho e colocava as crianças pra dormir, terminando por volta de 8:15pm. As crianças não eram tão pequenas, tinham 4 e 7 anos, então era ainda mais fácil porque eles eram bem independentes. Quando eu ficava lá de bobeira ia ajudar a arrumar o quarto das crianças, a pendurar roupa no varal, coisas simples só pra me manter ocupada. Fiquei lá por 1-2 meses, e depois no ano seguinte quando a babá regular saiu de férias novamente cobri ela mais uma vez. No terceiro ano a mãe me chamou de novo, mas eu já estava grávida do Lucas e morando no Shire, bem mais longe e ficaria inviável o deslocamento, daí indiquei outra menina pro meu lugar. Foi uma experiencia ótima, as crianças eram uns amores e ficamos tão apegados mesmo em pouco tempo que me deu um dó deixá-los...

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Uma coisa que eu queria deixar claro com esse post sobre a minha experiencia é que aqui na Austrália, diferente do que ocorre no Brasil, nenhum emprego é considerado subemprego. Todos tem seu valor e um garçom vai receber o mesmo tratamento cordial de um advogado. Inclusive existem muitos estudantes de curso superior que trabalham nesses empregos durante a faculdade por conta dos horários flexíveis. Um exemplo é uma advogada recém formada no meu escritório que enquanto fazia a faculdade de direito e um estágio não remunerado de paralegal trabalhava de garçonete num pub a noite. E isso mesmo a família dela sendo podre de rica! Humildade e respeito ao próximo são características muito valorizadas por aqui e por causa da não disparidade de salários vc vai encontrar num mesmo restaurante o executivo de uma empresa e o barista/garçom/cleaner almoçando por lá.
Claro que tem muitas nuances envolvidas nesses empregos, e muita gente com experiencias bem variadas, mas em linhas gerais essas foram as minhas impressões e a minha experiencia.